Nada é para sempre...




Caramba! Era tudo tão... desejoso de ser para sempre, e eu me lembro perfeitamente como foi que suas mãos desprovidas de bom senso se atracaram no meu corpo como se quisessem descobrir tudo antes do mundo acabar. Mas o que me fez apaixonar não foi seu talento com o tato, e sim, sua forma elaborada em me conquistar, oferecendo músicas que ninguém mais poderia fazer, então me lembro de...

"Se essa rua, se essa rua fosse minha... Eu mandava, eu mandava ladrilhar... Com pedrinhas, com pedrinhas de bilhantes, sopro meu, só pro meu amor passar."

Quem, além de você poderia me oferecer música assim, que somente uma mãe ou avó canta para uma criança?! Daí me recordo que você me escrevia poemas e publicava-os através do anonimato que as inspirações no dá como euforria de algum gravame. Deste modo você era livre para me amar, escrevendo, escrevendo até que alguém lhe parou, e arrancou de mim, algo que me deu . 
Você não me iludiu, eu quis acreditar, e sabia que era sua desde o dia em que nossos olhares se esbarraram com tanta gente ao nosso redor, e nossos braços se abraçaram sem se importar com o que havia de certo ou errado. Depois nos escondemos do mundo em um canto que nos abrigou, mas os olhos continuavam do outro lado da parede, a procura de nós, com a língua afiada para nos condenar. 
Sua boca me fez juras de amor, juras de muita coisa que sua mente um dia iria se esquecer; que os ditames certamente iriam desfazer, e o tempo passaria apesar das belas palavras ecoarem no mesmo espaço que ocupávamos. 
A chuva que caia sob nossa despedida, molhando o último beijo e a promessa do coração entregue aos meus cuidados... A chuva ainda cai.
Fará alguns meses, que se agrupados em dias daria o número 365. Ainda choro. Ainda...
Você não voltou, e talvez não precisasse mais, pois ficou em mim, mesmo que eu acredite que nada é para sempre.



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