O silêncio da espera

Texto inspirador de  O Oitavo Pecado:

Eles se encontram nos sonhos... Mais uma noite de espera; o amado não veio; não deixou recados... Nenhum sinal... Nenhum bilhete escondido debaixo da porta. Tornou-se escrava do dia em que ele retornará... Da esperança que o trará para libertá-la do mal que é viver sem teu amado...

A ânsia aumenta
Não vens... Nem vais... Dilema clandestino.
A alma do coração recebia beijos em buquê
Hoje...
Nem mesmo sei a razão de olhos tão tristes
Cada lágrima, gesto edificado
Um sentimento empobrecido
Um soluço é a dor que nenhum anjo poderia sentir.
Anjo esquecido; pedra de brilhante... Solitária.
Partilho não... O coração sangrento
Anjo caído; entristeceu-se.
Olhos de dois girassóis que fitam o sol
Por entre a fresta de asas acanhadas
O amor contaminou as vertentes lânguidas
Esvoaçou com as folhas de seus quintais
Cansou o racional
Permitindo a loucura de viver
Viver sem ti? – perguntei ao firmamento
Constatou-se... Dois corações...
Sincronia alquimista
Se o tempo passasse rapidamente
Eu voaria galopada nele... Com asas de Ícaro
Longe do sol; sem derreter as asas de cera
Honraria as asas de gaivota
Fugiria do labirinto
Perto de ti, meu recôncavo
Juntos faríamos vernissages pelo ar
A chuva... Seguras a minha mão
Se minha asa liquefizer-se
Emprestar-me-ia uma das tuas.

Gosto de entender o riso em seu olhar de criança
É a inocência da vida
Chegando à fase adulta de um homem
Escrevo-te palavras, cirandando, cirandar
Cantaria pensamentos carinhosos a ti
Dentro do ventre da Divindade
Encontra-se escondido, protegido de mim!
A leitura das batidas cardíacas tuas
Ouço o aquilatar dos diamantes esquecidos
No mistério náufrago do teu olhar
Olhos seus, quistos e benzidos em água salutar
Vira neblina púrpura, cor do sangue 
Expelida em camuflagens ribanceiras
Envolvendo-me inteira dentro de teu espreguiçar
Abraça-me...
Não me negue teu oásis... Tenho sede!
Viaje em meus sonhos colhidos da jabuticabeira.
Sou tua flecha
Sou o rabino que entoa o dom
A ama que perdeu a folha da bananeira
Para te abanar com o meu sopro
Escrava de teu amor
Réu confesso...

 


1 comentários :

  1. Mais que delícia de blog.
    Acho que vou segui-lo.
    Será que você vai seguir
    o meu? Caso você diga
    sim, por favor, não me
    chame de poeta, se
    palhaço é tão mais
    comovente...

    Um beijo,





    .

    ResponderExcluir